Dois pallets com placas de vídeo RTX 5090 da Zotac, avaliados em cerca de R$ 2,5 milhões a preço de custo, desapareceram no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em caso noticiado em 17 de outubro de 2026. A carga foi importada pelo Grupo Oderço, distribuidora de Maringá (PR), e a concessionária GRU Airport informou ter comunicado o sumiço às autoridades.
O que já se sabe sobre as RTX 5090 de Guarulhos
Para quem tem pressa: extravio de carga aérea exige registro formal imediato, protesto por escrito ao transportador e documentos que provem o valor. Sem isso, a indenização tende a ficar limitada por quilo.
Segundo o Tecnoblog, as placas custam em torno de R$ 35 mil cada no varejo. O presidente do Grupo Oderço, Oderço Matos, gravou um vídeo nas redes sociais em que diz importar desde 2008 e nunca ter tido uma carga desaparecida antes.
A GRU Airport afirmou que está “empenhando esforços” para esclarecer o caso, que reportou a ocorrência às autoridades e que orientou a empresa a solicitar indenização mediante apresentação de documentação.
O que GRU Airport e importador ainda não esclareceram
- Em que etapa a carga sumiu: na pista, no terminal de cargas ou já em armazém alfandegado.
- Qual companhia aérea fez o transporte e qual terminal recebeu os pallets.
- Se há imagens do momento: segundo as reportagens, não há vídeo do sumiço.
- Se a carga tinha seguro de transporte internacional e qual o valor declarado no conhecimento aéreo.
Cada uma dessas respostas muda quem paga e quanto. Para importadores de qualquer porte, o caso serve de roteiro do que fazer quando a mercadoria não aparece na conferência.

Seis etapas para registrar o extravio de carga aérea
- Avise o agente de carga ou despachante assim que a falta for constatada. Ele tem acesso aos registros de recebimento e movimentação no terminal.
- Peça o registro formal da falta ao terminal e à companhia aérea, com número de protocolo, data e descrição dos volumes.
- Envie protesto por escrito ao transportador. A Convenção de Montreal fixa prazos: 14 dias para avaria e 21 dias para atraso, contados a partir de quando a carga deveria ter sido entregue.
- Registre boletim de ocorrência, especialmente quando houver suspeita de furto.
- Acione a seguradora no prazo da apólice, com todos os documentos.
- Formalize o pedido de indenização ao responsável pela custódia, anexando as provas de valor.
Documentos que provam o valor da carga
- Conhecimento aéreo (AWB e, se houver consolidação, o HAWB).
- Fatura comercial (commercial invoice) e packing list.
- Declaração de importação e comprovantes de pagamento ao fornecedor.
- Fotos, etiquetas e números de série, quando disponíveis.
Mercadorias de alto valor e frágeis pedem cuidados desde a origem, como mostra o guia sobre cuidados no transporte de equipamentos sensíveis.
Seguro e o limite de 26 DES por quilo
Sem seguro e sem declaração especial de valor, a indenização do transportador aéreo internacional segue o teto da Convenção de Montreal (Decreto 5.910/2006), revisado para 26 Direitos Especiais de Saque (DES) por quilo desde 28 de dezembro de 2024. Para eletrônicos caros e leves, como placas de vídeo, esse limite cobre uma fração pequena do prejuízo.
Há exceção na jurisprudência: decisão do ministro Flávio Dino, do STF, de maio de 2025, garantiu reparação integral quando os documentos mostravam que o transportador conhecia o valor da carga. Mesmo assim, contar com o seguro é mais previsível do que depender de uma discussão judicial. Quando a disputa chega a esse ponto, o texto sobre quando buscar ajuda jurídica por encomenda perdida ajuda a decidir o momento.

Próximos passos do caso Oderço
Até a publicação deste texto, não havia informação sobre suspeitos, recuperação das placas ou valor da indenização. O ponto que define o desfecho é a localização exata do sumiço, porque ela indica se a responsabilidade recai sobre a companhia aérea, o terminal ou outro operador. Também falta saber se a carga estava segurada e com que valor declarado.











