O dólar comercial fechou 26 de outubro de 2026 a R$ 5,40, alta de cerca de 8% em um único dia, no primeiro pregão depois do segundo turno, segundo o InfoMoney. Três dias antes, a moeda tinha terminado a semana abaixo de R$ 5, de acordo com a Agência Brasil.
Para quem compra em sites estrangeiros, o salto chega direto ao carrinho: o preço em dólar continua o mesmo, mas a conversão para reais e o imposto calculado em cima dela sobem juntos. O câmbio ainda pode oscilar bastante nos próximos dias, então o que segue separa o que já está claro do que depende do mercado.
O que já está claro e o que depende do câmbio

| Já definido | Ainda em aberto |
|---|---|
| O teto de US$ 50 para isenção federal continua em dólar | Para onde o dólar vai nas próximas semanas |
| O ICMS é calculado sobre o valor convertido, então sobe junto com a moeda | Se as lojas que vendem em reais vão reajustar preços de itens com estoque no exterior |
| Pedido pago em reais, com ICMS no checkout, não muda depois | Quanto o spread dos cartões vai acompanhar a volatilidade |
Movimentos de 8% em um dia costumam ser seguidos de forte oscilação, para cima ou para baixo. Se o seu pacote está em trânsito e o ICMS já foi pago no checkout, nada novo deve ser cobrado na chegada por causa do câmbio.
Compras de até US$ 50: a alta passa para o ICMS
Desde maio de 2026, compras de até US$ 50 feitas por pessoa física em lojas do Remessa Conforme não pagam Imposto de Importação federal. Sobra o ICMS estadual, de 17% a 20%, calculado “por dentro”, sobre o valor já convertido. Quando o dólar sobe, a base do ICMS sobe junto.
A tabela compara a mesma compra com o dólar a R$ 5,00 e a R$ 5,40, num estado com ICMS de 17%:
| Carrinho em dólar | Total com dólar a R$ 5,00 | Total com dólar a R$ 5,40 | Diferença |
|---|---|---|---|
| US$ 20 | R$ 120,48 | R$ 130,12 | +R$ 9,64 |
| US$ 40 | R$ 240,96 | R$ 260,24 | +R$ 19,28 |
| US$ 50 | R$ 301,20 | R$ 325,30 | +R$ 24,10 |
O limite de US$ 50 é fixado em dólar, e não em reais. Por isso, a alta da moeda não tira ninguém da faixa de isenção federal: um carrinho de US$ 48 continua abaixo do teto, só fica mais caro na conversão. O detalhamento do cálculo do ICMS está em Compras até US$ 50 sobem 82%: quanto de imposto você ainda paga.
Acima de US$ 50, o efeito se multiplica
Entre US$ 50,01 e US$ 3 mil, compras no Remessa Conforme pagam Imposto de Importação de 60%, com desconto de US$ 30 no tributo, mais ICMS. Como o imposto federal também é calculado sobre o valor convertido, uma alta de 8% no dólar encarece o produto, o imposto federal e o ICMS ao mesmo tempo. Em um fone de US$ 120, num estado com ICMS de 17%, o total vai de cerca de R$ 976 com o dólar a R$ 5,00 para cerca de R$ 1.054 com o dólar a R$ 5,40, quase R$ 80 a mais.
Pagar em reais no site ou em dólar no cartão
Nas plataformas certificadas, o checkout costuma mostrar o valor final em reais, já com o ICMS. Nesse caso, a cotação fica travada no momento do pagamento, e a oscilação seguinte não muda a conta.
Quando a cobrança vem em dólar no cartão de crédito, entram duas variáveis. A primeira é o IOF de 3,5% sobre compras internacionais, alíquota informada pela Nomad. A segunda é a cotação do cartão, que tem spread do banco e costuma ficar acima do dólar comercial. Desde 2023, a conversão usa a taxa do dia da compra, e não a do vencimento da fatura, então comprar num dia de pico fixa o valor mais alto.
Vale antecipar a compra da Black Friday?
Ninguém sabe para onde o câmbio vai nas próximas semanas. O que dá para fazer é comparar o preço final em reais, no carrinho, em dois ou três dias diferentes, em vez de olhar só o desconto anunciado em dólar.
A regra prática para os próximos dias é simples: antes de pagar, veja se a loja está no Remessa Conforme e se o valor exibido já inclui o ICMS. Se o total aparecer em dólar e sem impostos, a conta final pode chegar bem maior quando a encomenda cruzar a alfândega.











