R$ 0,396 por tonelada a cada quilômetro: esse foi o preço médio do frete rodoviário de carga cheia no mercado spot no terceiro trimestre de 2026, segundo o Índice Frete.com de Preços (IFP), divulgado em 23 de outubro de 2026. O valor é 13% maior que o do mesmo período de 2025 (R$ 0,350), mas 5,2% menor que o do segundo trimestre, quando o índice tinha batido recorde.
Para o lojista, a leitura é dupla, e vale para quem vende em marketplace ou em loja própria. O transporte segue mais caro do que há um ano, mas parou de subir e perdeu fôlego mês a mês, o que abre uma janela para negociar antes do pico de fim de ano.
Por que o frete recuou no trimestre e ainda supera 2025
Segundo o relatório Frete Insights, reproduzido pela CNN Brasil, a alta anual tem dois motores: o diesel S-10, que passou de R$ 6,09 para R$ 7,01 por litro (alta de 15,1%), e a oferta de caminhões, que seguiu apertada mesmo com 18% menos fretes publicados. A comparação também pega uma base baixa: no terceiro trimestre de 2025, o índice estava no menor nível da série recente.
| Mês de 2026 | IFP (R$/t/km) | Alta sobre o mesmo mês de 2025 |
|---|---|---|
| Julho | 0,403 | 17% |
| Agosto | 0,391 | 12% |
| Setembro | 0,394 | 10% |
A queda frente ao segundo trimestre veio com o diesel praticamente parado (recuo de 0,6%), o que, segundo o relatório, aperta a margem do caminhoneiro autônomo. Nas carrocerias mais usadas para carga de varejo, o recuo foi maior: o baú caiu 7,3%, para R$ 0,612 por tonelada-quilômetro, e o sider 7,6%, para R$ 0,512, de acordo com o Diário do Grande ABC. A edição anterior do relatório, de julho, havia registrado alta anual de 20% e o preço mais alto da série, segundo a reportagem da Safras sobre o segundo trimestre.

Quanto essa variação pesa em cada pedido
O IFP mede contratações pontuais de carga cheia pagas a motoristas autônomos, já com pedágio, seguro e taxas, e exclui cargas especiais. Ele não é o preço da entrega de um pacote, mas mostra para onde vai o custo da transferência entre fábrica, centro de distribuição e transportadora, que depois aparece na tabela de quem entrega o pedido.
Uma conta ilustrativa ajuda. Uma carreta baú com 20 toneladas rodando 400 quilômetros sai por cerca de R$ 4.896 com o valor médio do terceiro trimestre. Com o preço do trimestre anterior, a mesma viagem ficaria perto de R$ 5.280. Se a carga tiver 4 mil pedidos de 5 kg, o frete de transferência fica em torno de R$ 1,22 por pedido, cerca de 10 centavos a menos que no segundo trimestre. A diferença parece pequena, mas se repete em toda a reposição de estoque.
- Quem compra frete direto (carga cheia para o próprio CD) sente a variação na hora.
- Quem usa transportadora ou operador logístico sente com atraso, no reajuste da tabela.
- Quem despacha só pelos Correios ou por plataforma de envio é afetado de forma indireta, pelo custo de reposição.
A geografia também conta. São Paulo, Minas Gerais e Goiás concentraram 51% dos fretes publicados no trimestre, e Minas teve a maior procura por caminhão disponível, com 5,58 solicitações por motorista. Já as rotas que saem do polo paulista rumo ao Nordeste operam com mais oferta de veículos e tarifas em acomodação, segundo o relatório. Para quem vende de São Paulo para o Nordeste, isso indica mais espaço de negociação do que a média nacional sugere; para quem abastece estoque em Minas, menos.
Feche a tabela do pico antes de novembro
A recomendação prática é uma só: negocie agora o frete de transferência e de distribuição até janeiro, com preço fixo ou teto de reajuste. O índice está abaixo do recorde do segundo trimestre e a alta anual vem desacelerando, mas o volume de fretes publicados cresceu 19% no trimestre puxado por milho e fertilizantes, e a demanda do varejo aumenta com Black Friday e Natal. Quem esperar o pico para fechar preço negocia com menos caminhão disponível. Para o lado da entrega final, os prazos da época estão no guia de Black Friday 2026 nos Correios.











