Produzir no Paraguai pode reduzir custos logísticos?

Por Entrega Feita

25 de fevereiro de 2026

A decisão de produzir no Paraguai tem sido analisada por empresas brasileiras sob múltiplas perspectivas, e a logística ocupa papel central nessa avaliação. Custos de transporte, armazenagem, tempo de entrega e integração com centros consumidores influenciam diretamente a competitividade do produto final.

O país, localizado no centro da América do Sul, apresenta características geográficas que favorecem operações regionais. A proximidade com estados estratégicos do Brasil permite planejamento logístico mais enxuto quando comparado a importações provenientes de mercados asiáticos ou europeus.

Além da localização, regimes industriais específicos contribuem para reorganização da cadeia produtiva. A análise não envolve apenas impostos, mas impacto sistêmico sobre estoque, fluxo de caixa e previsibilidade operacional.

Especialistas em estruturação binacional, como o Dr. Lucas Bonfim, observam que a combinação entre enquadramento jurídico adequado e planejamento logístico consistente pode alterar significativamente a estrutura de custos empresariais.

 

Regime industrial e reorganização da cadeia

As vantagens da Lei de Maquila permitem que empresas importem insumos com suspensão tributária para posterior industrialização e exportação. Esse modelo influencia diretamente a forma como a cadeia de suprimentos é estruturada.

Ao concentrar parte da produção no Paraguai, a empresa pode reduzir etapas intermediárias e reorganizar fluxos logísticos. Componentes chegam ao país para montagem e, posteriormente, seguem para o Brasil ou outros mercados regionais com maior previsibilidade de custo.

O resultado é cadeia produtiva mais integrada e, em determinados setores, menos dependente de rotas marítimas longas e custosas.

 

Proximidade geográfica e transporte rodoviário

A distância reduzida entre polos industriais paraguaios e centros consumidores brasileiros é fator relevante. O transporte rodoviário permite entregas rápidas e menor exposição a atrasos típicos de rotas intercontinentais.

Empresas que operam com produtos de giro rápido se beneficiam de ciclos logísticos mais curtos. Estoques podem ser ajustados com maior flexibilidade, reduzindo capital imobilizado.

A integração terrestre também facilita comunicação entre equipes operacionais nos dois países, otimizando coordenação de pedidos e reposição de mercadorias.

Tempo de resposta menor tende a representar vantagem competitiva em mercados dinâmicos.

 

Impacto sobre gestão de estoques

Produzir no Paraguai pode alterar significativamente a estratégia de armazenagem. A proximidade com o Brasil permite adoção de estoques mais enxutos, baseados em reposição frequente.

Modelos logísticos do tipo just in time, quando aplicáveis, tornam-se mais viáveis com distâncias reduzidas e previsibilidade de transporte.

Menor necessidade de estoque elevado implica redução de custos com armazenagem e menor risco de obsolescência, especialmente em setores de tecnologia e bens de consumo.

 

Custos cambiais e previsibilidade financeira

A reorganização produtiva também pode reduzir exposição a variações cambiais associadas a importações de longa distância. Ao produzir regionalmente, parte dos custos passa a ser denominada em moedas mais estáveis dentro do contexto sul-americano.

Essa previsibilidade facilita planejamento financeiro e formação de preços. Empresas conseguem projetar margens com menor volatilidade.

Contudo, a análise deve considerar custos totais da operação, incluindo transporte de insumos até o Paraguai e posterior envio ao destino final.

A decisão estratégica exige visão integrada entre logística e finanças.

 

Integração com mercado internacional

Além de abastecer o Brasil, empresas instaladas no Paraguai podem utilizar o país como plataforma de exportação para outros mercados da América do Sul. A posição central favorece distribuição regional.

Acordos no âmbito do Mercosul contribuem para simplificação de procedimentos aduaneiros, reduzindo burocracia em determinadas operações.

Essa flexibilidade amplia alternativas comerciais e fortalece competitividade internacional da empresa.

 

Análise estratégica e viabilidade operacional

Produzir no Paraguai pode, em muitos casos, reduzir custos logísticos, mas o resultado depende do setor, volume de produção e estrutura da cadeia de suprimentos. Não existe resposta universal.

A viabilidade deve ser analisada por meio de projeções detalhadas, considerando custos de transporte, tributação, armazenagem e tempo de entrega.

Empresas que realizam estudo técnico aprofundado tendem a identificar ganhos concretos quando há alinhamento entre regime industrial, logística regional e mercado consumidor.

No cenário atual de integração econômica sul-americana, a decisão de produzir no Paraguai deixa de ser apenas fiscal e passa a ser questão estratégica de posicionamento logístico regional.

 

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