Como despachar eletrônicos usados nos Correios para reciclagem

Por Entrega Feita

15 de outubro de 2026

Os Correios passaram a integrar em 14 de outubro de 2026 o sistema de logística reversa Circulare, com coleta gratuita de eletroeletrônicos usados em 6.868 agências que têm o serviço Balcão Cidadão. Qualquer pessoa pode levar uma caixa aberta de até 1 metro cúbico e até 30 kg com aparelhos pequenos, que seguem com rastreamento até a destinação final, segundo a Agência Brasil.

Do ponto de vista logístico, a novidade é usar a malha que já atende o país inteiro para fazer o caminho inverso: em vez de levar o produto até o consumidor, levar o produto descartado de volta à cadeia de reciclagem. A operação é feita em parceria com a Circular Brain, que já coletava gratuitamente eletrodomésticos de grande porte.

Em resumo: monte uma caixa aberta, de até 1 metro cúbico e até 30 kg, com celulares, notebooks, tablets, fones e cabos. Na agência, informe nome, CPF, endereço, e-mail e telefone. A caixa é lacrada no balcão e você recebe um comprovante; o envio é rastreado até a reciclagem. Pilhas, baterias e lâmpadas não entram. O serviço é gratuito.

 

O que é logística reversa e quem paga por ela

Logística reversa é o conjunto de ações para devolver produtos e resíduos ao setor empresarial depois do uso, para reaproveitamento ou destinação adequada. No caso dos eletroeletrônicos de uso doméstico, ela é obrigatória desde o Decreto 10.240/2020, que regulamentou a Política Nacional de Resíduos Sólidos para esse setor.

O decreto divide as responsabilidades assim:

  • Fabricantes e importadores: dão destinação ambientalmente adequada, preferencialmente reciclagem, a 100% dos produtos recebidos pelo sistema, em geral por meio de entidades gestoras.
  • Comerciantes: informam os consumidores, recebem e armazenam temporariamente os produtos e os devolvem aos fabricantes, inclusive no comércio eletrônico.
  • Consumidor: separa os produtos do lixo comum, remove os dados pessoais e entrega os aparelhos desligados nos pontos de recebimento.

O decreto não cria cobrança direta do consumidor para financiar o sistema e também prevê que ele não recebe pagamento pela entrega.

Várias caixas de papelão abertas
Imagem ilustrativa. Foto: Luke Heibert / Unsplash

 

Passo a passo do envio pela agência

  1. Separe os itens aceitos: celulares, notebooks, tablets, fones de ouvido, cabos e outros eletrônicos pequenos.
  2. Retire o que não entra: pilhas, baterias avulsas e lâmpadas.
  3. Apague os dados de celulares, computadores e tablets e retire chips e cartões de memória.
  4. Monte a caixa aberta, sem lacrar, respeitando o limite de 1 metro cúbico e 30 kg.
  5. Vá a uma agência com Balcão Cidadão e apresente a caixa ao atendente, que vai conferir o conteúdo.
  6. Informe seus dados: nome, CPF, endereço, e-mail e telefone.
  7. Acompanhe o lacre da caixa no balcão e guarde o comprovante de envio.

Depois disso, os itens seguem para um parceiro homologado do sistema, com rastreamento até a destinação final. Se a agência mais próxima não tiver Balcão Cidadão, ela não poderá receber a caixa; por isso, vale confirmar o serviço por telefone ou no site dos Correios antes de carregar volumes pesados.

 

Embalagem, peso e limites: os detalhes que evitam volta para casa

ItemRegra
Tipo de caixaAberta, para conferência no balcão
Tamanho máximo1 metro cúbico
Peso máximo30 kg
Itens proibidosPilhas, baterias avulsas e lâmpadas
CustoGratuito

Para ter uma referência, 1 metro cúbico é o volume de um cubo com 1 metro de cada lado, bem maior que uma caixa comum de mudança. O limite que costuma pesar mais é o de 30 kg: uma caixa cheia de carregadores e cabos fica leve, mas monitores antigos e notebooks pesados somam rápido.

Use uma caixa firme e, se tiver aparelhos com tela, coloque-os entre camadas de papel ou plástico bolha para evitar quebra no transporte. Vidro quebrado dificulta o manuseio na triagem.

 

Por que a malha dos Correios faz diferença

O Brasil gera 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, mas apenas cerca de 3% desse volume é coletado, segundo o Global E-waste Monitor 2024, da ONU. Um dos gargalos é a distância até um ponto de entrega. O executivo Marcus Oliveira, da Circular Brain, afirmou à Agência Brasil que muita gente guarda aparelhos porque não há ponto de entrega voluntária na cidade.

Com quase 7 mil agências participantes, o descarte passa a ter um endereço conhecido em praticamente todos os municípios atendidos pela rede. Para o sistema de reciclagem, isso significa mais volume e um fluxo rastreado, com registro de quem enviou e para onde o material foi.

 

Dúvidas que estão aparecendo

 

O que acontece com os aparelhos depois?

Os itens seguem para um parceiro homologado do sistema Circulare, que faz a destinação ambientalmente adequada, preferencialmente a reciclagem. Nesse processo, plásticos, metais e placas eletrônicas são separados para voltar à cadeia produtiva, e componentes perigosos recebem tratamento próprio.

 

Meu celular velho tem bateria embutida. Posso mandar?

A restrição divulgada vale para baterias avulsas. Aparelhos com bateria interna fazem parte da lista de itens aceitos, como celulares, notebooks e tablets. Se a bateria estiver estufada ou danificada, informe o atendente no balcão.

 

Por que pedem CPF e endereço?

Os dados identificam o remetente do envio e permitem o rastreamento da caixa até a destinação final, com comprovante emitido no balcão.

 

Empresas podem usar o serviço?

O lançamento foi voltado a eletroeletrônicos pós-consumo de uso doméstico entregues por pessoas. Empresas com volume maior devem procurar as entidades gestoras de logística reversa do setor.

 

Posso mandar geladeira ou máquina de lavar?

Não pelo balcão. Itens de grande porte não cabem nos limites de peso e tamanho. A Circular Brain já oferecia coleta gratuita para esses aparelhos por outro canal.

 

Se você vai despachar, então confira esta lista

Se a caixa tem só cabos, fones e carregadores, então basta respeitar o limite de peso e levar aberta à agência. Se tem celular, tablet ou notebook, então apague os dados antes: pelo Decreto 10.240/2020, a remoção dos dados pessoais é responsabilidade de quem descarta. Se há pilhas, baterias soltas ou lâmpadas, então separe esses itens e procure um coletor específico. E guarde o comprovante: ele é o registro de que o material entrou no sistema de reciclagem.

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